O fato da Amil ter a intenção de repassar mais de 330 mil planos de saúde de usuários de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná para uma outra empresa gera preocupação. Tanto que a Agência Nacional de Saúde Suplementar decidiu barrar essa transferência para a empresa Fiord. Anteriormente a ANS havia autorizado o repasse da carteira de clientes para a Assistência Personalizada à Saúde (APS), que fazia parte do mesmo grupo empresarial. Este processo está validado desde 1º de janeiro deste ano.
A decisão da ANS de suspender uma nova transferência tem por base o número de reclamações que vem sendo registradas desde que a carteira de clientes passou para a APS. Embora o descredenciamento da rede só seja possível em casos excepcionais, assim mesmo com substituição por opções equivalentes , na prática não é o que acontece. Não é justo alterar as regras com pacientes em meio a tratamento. Sem falar dos altos valores pagos mensalmente.
Desde o início de janeiro, quando os planos individuais foram transferidos para a APS, clientes se queixam do descredenciamento de vários hospitais e da dificuldade em marcar exames, inclusive os de rotina. Usuários relatam que o aplicativo da Amil informa que o paciente pode procurar normalmente a rede credenciada, mas em muitas unidades o atendimento é negado. Cabe a ANS até mesmo rever a transferência da carteira para a APS.
A verdade é que essa movimentação costuma trazer dor de cabeça para o consumidor. Embora a operadora afirme que nada vai mudar, que o valor dos planos e o atendimento vão continuar os mesmos, na prática é recorrente a diminuição da rede, com os beneficiários perdendo hospitais que estavam acostumados a usar.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar registrou 2.614 reclamações contra a Amil em janeiro, 13% a mais do que em dezembro de 2021. As críticas são voltadas principalmente para o atendimento, reembolso e gerenciamento de atividades como autorizações prévias. A ANS, portanto, precisa estar atenta para coibir abusos.
O alerta também se faz necessário para os beneficiários da Amil quanto a qualquer mudança que os prejudique. Cabe destacar que, pela lei dos Planos de Saúde, o valor da mensalidade tem que ser mantido.
No caso de irregularidades, o mais indicado é primeiramente fazer a reclamação na ANS, que disponibiliza canais online, como a ouvidoria e a Notificação de Intermediação Preliminar; ou no Procon. Não havendo solução, o beneficiário pode ingressar com uma ação judicial.